Thriller no Paint Brush
Sábado, 20 de Fevereiro, 2010
Veja essa e outras no link http://haznos.org/capas-de-discos-feitas-no-paint-imagens/

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Aguardando o momento certo. Esperando. Pensando.
Será que eu tô sem tempo para compor? Certamente.
Perdendo tempo. Parece que sim.
Post inútil.
O Disco de vinil, ou simplesmente Vinil ou ainda Long Play (abreviatura LP ou elepê), ou coloquialmente bolachão é uma mídia desenvolvida no início da década de 1950 para a reprodução musical, que usava um material plástico chamado vinil.
Isso, segundo a wikipedia.
Na (minha) prática vinil é um biscoitão que tem que pegar pelas laterais, para não danificar, e encaixar em um pino sem poder olhar, esperar alguns plecs, trocs e outros ruídos. Mas depois… sentar para ouvir e olhar a capa, o encarte, as letras, com toda calma do mundo. Um vinho então, cai muito bem.
Segundo os jornalistas do início da década de 90, a chegada do CD era como a chegada dos espanhóis nas américas… faltal. Seria o fim do império do vinil?

Não quero entrar em discussões sobre qual soa melhor, e outras bobagens. O fato é que um fenômeno bastante interessante acontece nos dias de hoje. Se na época da virada (vinil para CD) a tecnologia era (não)somente mais um recurso do mercado capitalista (me lembro bem da correria que houve para substituir a biblioteca de bolachões mecânicos pelas bolachinhas digitais), hoje, os representantes do mercado da música, por exemplo, se encontram traídos e abandonados. Enquanto as gravadoras traziam poucas e péssimas opções, com uma ou duas excessões, a Internet traz boa música para bons ouvintes. E os bons ouvintes procuram produtos de acordo com a sua preferência.
A natureza da Web colocou o produto em seu devido lugar. Não precisamos (nós que não deixamos a TV ligada no fim de semana anunciando uma quantidade infinita de produtos inúteis) mais pensar em qual é o novo sucesso do momento, corremos atrás do que a gente realmente gosta, baixamos álbuns completos de bandas dos anos 70 que acabamos de descobrir, para depois comprar. Esse é o novo SUCESSO!

Me lembro, por exemplo, que eu era obrigado a ouvir Charlie Brown Jr, Pitty e as piores bandas gringas na CIDADE - A Rádio Rock (quem será que fazia aquelas programações… AH! O JABÁ!) para poder escutar um som novo mais interessante uma vez a cada 1000 músicas. É o que vem acontecendo com o Multishow e a MTV, para quem ainda tenta achar algo novo na TV.
Bem, e não é que depois de todo esse rololô o vinil, que nunca morreu, voltou com força total?
Ele é grandão, parece um poster, tem carisma, é frágil, é pós-moderno, é indie, é tropicalista e bossa-nova.
Fleet Foxes, Artic Monkeys, Radiohead, Los Hermanos. Hoje todos lançam em vinil.
Existe inclusive um blog http://www.artvinyl.com feito para quem curte. Eles divulgaram uma lista com as melhores artes/capas de 2009. Confira! http://www.artvinyl.com/en/nominate/nominations.html

Existe também uma confraria em Campinas (sou um dos sócios que só aparecem bêbados) chamada Clube do Vinil, onde você pode ser o DJ e operar duas vitrolas com o que você considera bom para aquela noite! Saudações Charles!!
O que você está esperando? É caro… mas tem charme. Tire a poeira da vitrola do seu pai e comece uma coleção!
Nesse vai e vem, eu que sempre tive vontade de lançar um LP fico pensando se o Desacorde não merece uma edição especial em Vinil…

O mundo não vale o mundo, meu bem.
Eu plantei um pé-de-sono,
brotaram vinte roseiras.
Se me cortei nelas todas
e se todas me tingiram
de um vago sangue jorrado
ao capricho dos espinhos,
não foi culpa de ninguém.
O mundo, meu bem, não vale
a pena, e a face serena
vale a face torturada.
Há muito aprendi a rir,
de quê? de mim? ou de nada?
O mundo, valer não vale.
Tal como sombra no vale,
a vida baixa… e se sobe
algum som deste declive,
não é grito de pastor
convocando seu rebanho.
Não é flauta, não é canto
de amoroso desencanto.
Não é suspiro de grilo,
voz noturna de correntes,
não é mãe chamando filho,
não é silvo de serpentes
esquecidas de morder
como abstratas ao luar.
Não é choro de criança
para um homem se formar.
(…)
Não é nem isto, nem nada.
É som que precede a música,
sobrante dos desencontros
e dos encontros fortuitos,
dos malencontros e das
miragens que se condensam
ou que se dissolvem noutras
absurdas figurações.
O mundo não tem sentido.
O mundo e suas canções
de timbre mais comovido
estão calados, e a fala
que de uma para outra sala
ouvimos em certo instante
é silêncio que faz eco
e que volta a ser silêncio
no negrume circundante.
Silêncio: que quer dizer?
Que diz a boca do mundo?
Meu bem, o mundo é fechado,
se não for antes vazio.
O mundo é talvez: e é só.
Talvez nem seja talvez.
O mundo não vale a pena,
mas a pena não existe.
Meu bem, façamos de conta.
de sofrer e de olvidar,
de lembrar e de fruir,
de escolher nossas lembranças
e revertê-las, acaso
se lembrem demais em nós.
Façamos, meu bem, de conta
— mas a conta não existe —
que é tudo como se fosse,
ou que, se fora, não era.
Meu bem, usemos palavras.
façamos mundos: idéias.
Deixemos o mundo aos outros
já que o querem gastar.
Meu bem, sejamos fortíssimos
— mas a força não existe —
e na mais pura mentira
do mundo que se desmente,
recortemos nossa imagem,
mais ilusória que tudo,
pois haverá maior falso
que imaginar-se alguém vivo,
como se um sonho pudesse
dar-nos o gosto do sonho?
Mas o sonho não existe.
Meu bem, assim acordados,
assim lúcidos, severos,
ou assim abandonados,
deixando-nos à deriva
levar na palma do tempo
— mas o tempo não existe,
sejamos como se fôramos
num mundo que fosse: o Mundo.
Carlos Drummond de Andrade

2010 ainda nem começou (para a maioria) e eu já começo a ter flashfowards de memória de um ano completamente imprevisível.
Ao mesmo tempo que espero muito deste ano, sinto que o mundo não espera por mim. Me sinto metralhado pela quantidade de informações, úteis ou não, vindas de todos os lados, mídias, pessoas… Atropelado.
Sou diariamente esquecido pelo google. Minha caixa de emails é lotada de interesseiros, publicitários, amigos em preto e branco, tão perdidos quanto eu, e ainda assim, virtualmente satisfeitos pela quantidade de scraps confusos e mal escritos que recebem diariamente.
No que se transformou a minha vida? Um compromisso para o qual estarei eternamente atrasado?
Será que minha geração vive uma crise não prevista por psicólogos?
Somo caretas, grandalhões, criançonas assitindo televisão e brincando no computador, enquanto nos alienamos de nós mesmos.
Somos sonhadores irremediáveis, mas já sem esperança. Somos filhos de hippies e pais da internet. Quase somos tudo… Mas na realidade não somos quase nada. Não somos culpados ou vítimas.
O que fazer diante de tal conclusão? Chorar? Comemorar? Se conformar?
Eu preciso fazer um disco. Me dar uma chance de um último grito de Help! De poder me expressar livremente, como fazem os que estão realmente antenados. De poder esquecer que a MTV tem atitude, e a Pitty também. Preciso tomar uma atitude.
Hoje tem ensaio. Eu, Márcio Biaso, Stephan Drummond e Rafael Luddo.

Um rato. Mas que toca violão!
Ontem eu sentei e compus uma música.
Fiquei feliz com o resultado. Sinto que estou voltando a me sentir artista, compositor. Tô voltando a sonhar (fudeu… será que meu coração ainda aguenta).
Otimista? Nem tanto.
Em relação ao disco… SIM! Quero gravar essa nova música o quanto antes. Quero fazer outras. Quero segurar minha guitarra mais uma vez. Eu preciso tocar!!! Cantar (gritar)!
Bem, já que 2010 começou me dando uma música, resolvi devolver o presente com um post. O primeiro em muito tempo.
Criei ainda um perfil no facebook (o orkut internacional), vou espantar as moscas do meu twitter, e vou responder aos fiéis amigos e ouvintes que não se cansaram em mandar emails, scraps e comments perguntando, por exemplo, onde é que eu tinha me metido.
Agora eu embalo de novo!