Matéria no Segundo Caderno e seus significados Parte 2
Segunda-feira, Junho 7th, 2010(… Antes, ler parte 1)
Aos 20 anos, confesso que estava um pouco perdido em relação aos rumos de minhas composições. A música dos Camaleões recebia elogios por suas melodias e ritmos quebrados, mas era só.
Em 2001, não causávamos grandes sensações. Os shows ficavam cada vez mais vazios e o povo dos tempos da escola apareciam cada vez menos. Os integrantes de outras bandas independentes da época eram nossos maiores incentivadores. A galera do Detonautas, o Sopa de N’ovo com o irreverente Gu2 à frente, o Som da Rua de Liô Mariz, O Farpa do artista nato Márvio (hoje, jornalista da Folha), e o Camaleões, eram bandas primas, que se revezávam nos palcos do underground carioca. Foi somente quando cruzei com o Reverse que tive a visão do que eu realmente gostaria de fazer.
Pegamos, eu e Léo, uma carona com o Diogo Gameiro (na época os dois faziam parte do Farpa, hoje o Léo é dono do maior estúdio do Recreio e o Diogo, batera do Nando Reis) para ver o show do Som da Rua no palco onde todos queriam tocar: O Rock in Rio Café, que ficava no Free Shopping (mais tarde a famosa expansão do Barrashopping).
Fomos pegos de surpresa pela banda de Daniel Lopes e Márcio Biaso, que abriram o show. Era o Reverse, ainda em sua pré história. Não tinha dúvidas de que estava diante da maior banda de nossa geração. O Marcelo Reis estava lá, mas não concordava comigo, dizia que o Som da Rua viria com bem mais força. Depois do show corri para falar com o Dani, que me ignorou de pronto. Expliquei para o Márcio que tinha uma banda maneira e que adoraríamos tocar com eles.
Na mesma noite liguei para o Billy e marquei um ensaio emergencial: “Billy, tem uma banda melhor que a nossa…”
Um mês depois estávamos as três bandas reunidas para um show “histórico” no Néctar: Som da Rua, Reverse e Camaleões - Nectar In Concert. A turma do Magnólia, primeiro nome do Brava, estava lá. A esta altura, Paula Marchesini só tinha umas 3 canções, além da parceira comigo em Esperança, música que tinha lugar especial no show do Camaleões.
Não me esqueço que atrasei minha passagem de som esperando o Daniel chegar. Estávamos tocando “Vida Assim”, canção em 3/4 que tinha um refrão bem Dave Matthews quando ele chegou e saiu do carro com uma cara de surpresa: “Vida inteligente na Terra” comentou comigo. Depois do show, o Márcio me confessou que esperança era uma de suas canções preferidas. “Do Camaleões?”, perguntei, “do mundo!”.
Iniciamos uma amizade que duraria pra sempre. Eu, Márcio e Daniel.
(Continua na parte 3…)






