A vida é mesmo imprevisível.
Tive, com o meu primeiro disco solo, uma longa jornada de shows e eventos repleta de altos e baixos, tendo o seu ápice na apresentação do Som Brasil em homenagem a Lulu Santos.
Tinha total consciência que aquilo não era uma afirmação definitiva do meu trabalho. Não podia ser. Mas, o que não esperava era viver, depois de todo buxixo natural pós-globo, uma crise maior do que a que havia antes de todo processo.
De cara, saí do escritorio que até então dava suporte para nosssas ações.
Depois, perdi os músicos que tocavam comigo para suas próprias vidas, nada mais justo.
Em uma temporada forçada, fiz uma sequencia de shows vazios e frustrados(frustrantes).
É… era o fim da era Desacorde. Entre glórias e experiências enriquecedoras porém dolorosas, eu decidi que havíamos chegado a um ponto sem volta. Agora, era levantar a cabeça e partir para uma segunda aventura.
MAS… TODAVIA…
Eu tinha uma carta na manga. Uma não duas. E mais, uma pessoa muito especial(Fernanda Mourão), que tinha passado tudo isso comigo e não desistiu, para jogá-las da melhor maneira possível.
1 -Quando gravamos o programa do Bôscoli em abril, a produtora me perguntou quando eu gostaria que o programa fosse ao ar.
Pensei: Bem, não é sempre que a gente aparece na TV, o que o meu pai chama de grande mídia(ele e todo mundo né… hheehh). Então, porque não deixar isso mais pra frente, já que acabamos tocar na Globo. Hmmm, let’s say… Agosto.
2 - Um show inocente em Barbacena. 19 de Setembro.
O programa foi ao ar. Músicas próprias(finalmente).
O meu email lotou. Assim como o Orkut, Myspace e o número de entradas no site.
Gostaram!!
Então vambora.
Fomos pra Barbacena, senti alguma coisa diferente na platéia. Parecia que a galera conhecia as músicas. Sim, era isso!
Vocês não devem saber o que significa isso para um artista independente(com todos os preconceitos que essa palavra implica).
Vivemos o drama de tocar músicas novas para um público que não pensa em música como uma forma de arte. Querem mesmo é se divertir(conversar) ao som de Ana Carolina e Djavan.
Vendi CD, dei autógrafo. Até reclamaram que a gente tinha pulado “Contramão”.
Era uma tendência? Sim.
Eis que veio a temporada de São Paulo para confirmar. Tem uma “turma” dando uma chance para o disco.
É como se o Desacorde começasse a fazer sentido pra essas pessoas, mais de um ano depois de gravado.
Foram 5 shows em São Paulo. Cada um com um história especial, que vou contar nos proximos posts, um para cada.