Matéria no Segundo Caderno e seus significados Parte 3 - Final
Quarta-feira, Junho 9th, 2010Do show no Nectar nasceu o Segunda Padrão, encontro informal semanal que acontecia às segundas no complexo de butecos e restaurantes Rosas, sempre regado a muita cerveja e cachaça com mel, o famoso melzinho (vinha com um pedaço de canela dentro, o qual em uma noite, dizem as más linguas, acendi e fumei). Posso afirmar que antes do Segunda Padrão eu não tinha idéia do significava uma verdadeira ressaca. A cerveja não parava de chegar, e a música não parava de tocar. Cada um levava seu violão. Gostávamos de acreditar que aquele encontro era o nosso Clube da Esquina. E era mesmo. Os integrantes mais assíduos, além do Dani, do Márcio e desse que vos fala, eram a Paula Marchesini, sempre com sua presença tímida e sua voz hipnotizante, acompanhada dos meninos do Brava, Billy, Garrafa e Julius, como eu, eternos Camaleões, Lia Sabugosa, que calava o rosas com uma versão emocionante de Como Nossos Pais, e a Milla Bartilotti, dona de letras surpreendentes e irônicas. O Som da Rua, o Farpa, os Detonautas, ainda sem barba, o Lancaster, Patrick Laplan, do Los Hermanos, e muitos outros artistas/compositores passaram por lá, além dos amigos, namoradas (a maioria do Márcio), e os malucos, às vezes mendigos, que acompanhavam a birita e se juntavam ao côro.
Mais do que um campeonato de quem ia mais vezes ao banheiro, consequência instantânea da cerveja, o Segunda Padrão se transformou em um inusitado clube de composição. A cada segunda, tinha prioridade para tocar primeiro, aquele que tinha algo novo para mostrar. A reação dos outros era um termômetro inquestionável. Para mim, não havia maior incentivo. Posso garantir também que foi lá que descobrimos talentos escondidos de Márcio Biaso, até então, somente guitarrista do Reverse: “Cara, você tem uma voz única!”
Nunca me esqueço do dia em que ouvi pela primeira vez “Tempo e Espaço”. No meio da gritaria dos bêbados colei o ouvido no violão do Dani, e fui o primeiro a me arrepiar com a canção que somente três anos mais tarde iria entrar no Top 10 da MPB FM.
De lá vieram as participações em shows, as parcerias, as gravações. Naquelas cadeiras, o Dani me entregou o CD “Você sabe o que eu quero dizer” de inéditas do Leoni, e me disse que eu faria a turnê de lançamento do disco. O primeiro ensaio era no dia seguinte. Passei a madrugada tirando as músicas…
Muitas outras histórias nos guiaram de lá pra cá. Os shows acústicos do Trio em Botafogo. O fato de que se não fosse o Márcio, o “Desacorde” não teria nem sido gravado. O grande álbum de canções de Márcio, “Tudo que é meu”, também é fruto dessa amizade.
Concretizando uma tendência antiga, os três gravamos um CD solo, de canções próprias, em nossos próprios estúdios.
Fico feliz que um jornalista inteligente como o Leonardo Lichote tenha pego esse “movimento” no ar e transformado em uma matéria pontual e objetiva. Nós merecemos.
Que venham as próximas canções.









